O artesanato é, foi e continuará sendo, enquanto existir, um desses denominadores comuns da experiência humana, sem dúvida um patrimônio cultural. No caso do Ceará, o artesanato em rendas, como o bilro, crochê, irlandesa, renascença, filé e labirinto contribui para o fortalecimento da indústria têxtil, de confecção e design autoral, agregando valor aos produtos, além de que a transmissão do conhecimento e das técnicas, de geração para geração, permite a manutenção de saberes populares regionais. Atualmente, o contexto cada vez mais competitivo e opressivo do mercado vem trazendo dificuldades para a manutenção desses tipos de artesanato, em especial o labirinto.

 

Conhecido também por bordado de labirinto ou renda labirinto, o labirinto é um trabalho de agulha produzido, especialmente, a partir de tecidos finos como o linho e descende da tradição de trançados europeus, introduzidos no Brasil por intermédio da colonização portuguesa. A produção do labirinto é laboriosa e faz jus ao nome. Uma peça de labirinto pode levar meses para ser concluída. A produção compreende dez etapas: riscar, cortar, desfiar, encher, torcer, paletar, casear, lavar, engomar e acabar, e exige grande dedicação, paciência e habilidade da artesã. Atualmente, essa técnica ainda sobrevive em algumas comunidades cearenses como é o caso do distrito de Sucatinga- Beberibe, Ceará, localizado na extensão do litoral leste do estado.

 

Em decorrência da baixa procura das tipologias artesanais, o labirinto tem perdido força na região, o que tem gerado problemas graves relacionados a perda da diversidade artesanal e, consequentemente, perda do patrimônio imaterial do estado. Sendo assim, a marca Ressoar nasceu a partir do olhar pontual sobre as necessidades das artesãs da Sucatinga. A escolha do projeto nesta localidade foi dada por carregar traços de uma memória afetiva tanto para a publicitária/designer Amanda Nascimento quanto para os seus familiares que participam dessa iniciativa.

 

A prerrogativa desse projeto é a produção de peças que agregam a experiência vivida através das tramas do trabalho manual das artesãs a um design mais contemporâneo. Pensando na abordagem de corpos diferentes para um mesmo espaço, trazendo modelagens pensadas para que se ajustem a necessidade tanto do corpo feminino, quanto do masculino. Trazendo elementos que nos transportam aos dois universos. Além disso, a marca preocupa-se com a valorização do fazer artesanal local envolvendo as mulheres da região através de associações de mulheres ou grupos de pequenos artesãos, contribuindo de maneira direta e intensa para a redução dos índices de vulnerabilidade social das mulheres dessa região.

 

somos história, somos múltiplas

somos manual, somos o labirinto

somos história, somos múltiplas

somos sabedoria, somos um fazer geracional

 

somos RESSOAR.